terça-feira, maio 27

Are you listening??

Não aguento mais. Não consigo me controlar. Olho para os lados, me desespero. Ninguém está olhando... eu posso... ninguém verá.
Medito. A vontade me consome.
...
É agora ou nunca.
Grito:

"Black Widow:

Finding solace
finding solace somewhere
seeking comfort
seeking comfort somewhere


Over and over
over she calls
over and over
over she falls


the black widow
waiting for her lover
the black widow
crying in her bedroom


over and over
over she calls
over and over
over she falls


(pull me out)


(seeking comfort
seeking comfort somewhere)


And she cries, and she cries
feeling lonely
she is lonely


And she dies, and she dies
feeling lonely
she is lonely


Recognize recognize
the black widow
the black widow
recognize, recognize
the black widow,
the black widow
the black widow."


Dolores O'Riordan

segunda-feira, maio 26

Naturalmente servindo

A discussão em torno de quando e onde a vida começa não chegou junto com a discussão sobre a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias. Exemplo disso foi a definição de que a parada cardíaca e respiratória não determinam morte, e sim a parada irreversível das funções cerebrais. Fato e determinção aceita até hoje por médicos e cientistas.
Essa definição veio em decorrência de avanços científicos e principalmente dos transplantes de órgãos. As sociedades de maneira geral (inclusive a brasileira) apoiam, aprovam e incentivam os transplantes, por reconhecer nestes uma chance à vida. Então, por que não ter essa mesma atitude positiva em relação às células-tronco, também à favor da vida, e sem dificuldades como a de se achar doadores compatíveis?
Determinadas correntes críticas dizem que a pesquisa e utilização de células-tronco embrionárias vão contra a natureza, sem se dar conta de que, se outros cientistas, em toda história humana, não tivessem "ido contra a natureza", provavelmente, eles não estariam aqui. Desses críticos, quantos já foram vacinados? Creio que todos. As pesquisas e interferências vão à favor da natureza, por estarem à favor da vida, pois na natureza tudo conspira à favor desta.
As pesquisas com células-tronco embrionárias são fundamentais por fatores biológicos, sociais e econômicos. Biologicamente pois assim, pacientes hoje destinados à uma cadeira de rodas ou mesmo à morte, vêem uma perspectiva de futuro. As pesquisas buscam, unicamente, encontrar a cura ou ao menos tratamentos mais eficientes para pessoas que sofrem por exemplo com doenças neuromusculares, cerebrais, nervosas e etc.
Socialmente essas pesquisas são imprescindíveis pois, sem elas, pessoas pobres não terão acesso a tratamentos mais modernos, ou até mesmo a uma possível cura, pois estes serão encontrados apenas no exterior. E com toda certeza, o governo não será capaz de bancá-los.
Economicamente, seria criar um déficit na economia, tendo-se que importar tecnologias, pagando incauculáveis royalties, quando podíamos estar produzindo nossas próprias pesquisas e tecnologias, e até mesmo as exportando.
Os pesquisadores lutam para ter a oportunidade de servir à vida, pois "quem não nasceu para servir, não serve para viver", essa é a frase que rege a ecologia e, consequentemente a nossa vida. Não tendo assim, portanto, o STF, o direito de interferir, negativamente, no ato natural de servir.

quarta-feira, maio 21

Gêneses.

Sentado em sua cadeira X¹ observava o mundo e seus transeuntes. Um dia ele mesmo estivera ali, no mundo. Livre, andarilho. X¹ fora um deus. E durante sua glória divina o mundo X¹ conheceu. Viveu. Viveu. Viveu.

E um dia a encontrou. X² era linda, simples, pura, viva e, acima de tudo, sozinha como ele.

Formaram um casal perfeito. Divino. Sua união teve o nome de XX, a união mais perfeita. A mais bela das estruturas. O amor de ambos a essa união fora tão forte e real que deu a sua própria criação, a união, vida própria.

Essa nova vida fora a mais poderosa das novas espécies. Seu poder era o de amar, o de perdoar e o de criar, não apenas sentimentos e instrumentos, mas o de criar a vida. A vida criada, única e exclusivamente, pelo amor.

XX, a maior e mais bonita fonte de amor divino, foi capaz de vencer todos os obstáculos da natureza e criou, através do amor próprio, outras criaturas amáveis como ela.


Assim surgiu a era de XX que persistirá para sempre como a mais evoluída das formas de vida do planeta.




Desculpem pela má estruturação do texto. Foi um tanto mal feito >.<
E antes que me perguntem, sim isso é uma homenagem a vocês XX. xP

domingo, maio 18

Testículos

Maria escreveu um texto de amor.
Apagou.Reconsiderou. Leu, leu e leu.
Entregou.
O amor verdadeiro faz isso com as pessoas.
João queria estrear Maria.
Ela era mulher antes dele.
João tinha que ser o primeiro.
Ela continuaria sendo mulher depois dele.
Mal sabia João que mulheres não são inauguradas.
Mal sabia Maria que amor é labirinto.
Ana escreveu um texto de amor
Apagou.Reconsiderou.Leu, leu e leu.
Entregou.
O amor faz isso com as pessoas.

sábado, maio 17

Um tal João.

Nasceu. Era belo, sonhador, incomum. Enquanto as crianças brincavam ele pensava, lia e refletia.

Queria crescer rápido para poder ser alguém. Cresceu.

Na adolescência não saia, não namorava, não festejava. Apenas a tudo analisava, criticava, distorcia. Queria ser adulto para mostrar ao mundo como ele era bom e superior, queria lhes falar sobre como aquele mundo não o merecia. Estudou. Formou. Trabalhou.

Adulto, sempre tentou entender a razão para ser tão superior, um motivo que explicasse sua existência tão perfeita em meio a tamanha mediocridade. Viveu em busca de respostas.

Envelheceu sempre buscando as mesmas respostas, nunca as encontrou. Fracassou. Quis tentar novamente.

Suicidou.

sexta-feira, maio 16

Sendo-se

Quão fácil é se entregar? Quão fácil é admitir que realmente não se é o melhor?
E ver no outro um espelho, que reflete o seu fracasso?
E agora que sei que me entrego fácil, que sou fraca, que não sou uma escritora, que estou longe disso, e que alguém escreve muito melhor que eu?
E agora? Jogo para o alto? Deixo o céu decidir por mim quando minha vida se prender àquela nuvem que tranquilamente bóia?
Ou me afogo num mar de incertezas e converso com um belo peixe palhaço? Que não me fará rir, e sim, rirá de mim?
Quem pode me dizer o que seria, é, será ou não, melhor?
E se me agarrar às costas do macaco que de galho em galho refaz sua vida?
E se dele me tornar parasita? Não preciso produzir(comprar) meu alimento, não preciso me lavar e certamente não me sentiria inferior, ou...
Na verdade, creio que este deve sim se sentir inferior, deve pensar o contrário..."Poxa, não sou capaz de produzir meu alimento, não sou capaz de me lavar, me sinto inferior."
Repito: não sou escritora, estou longe disso, e sei que alguém escreve muito melhor que eu!
Mas em mim habitará a felicidade de escrever...eu me lavo, eu compro meu alimento e eu sou superiror...
Superiror a alguém? Não! A mim mesma! Superior ao meu EU que insiste em comparações, ao meu EU que insiste em perfeição, ao meu EU que se vê pelo outro!
Sou meu EU que nada quer ser além de si mesmo!


quinta-feira, maio 15

Mudez Escrita

É direito humano.Três amigos e um gosto singular.Particularmente me esquivaria das peculiaridades cotidianas.Sentimentalmente as falaria, mas não com tanta minunciosidade.

Poderia juntar sobras de construções e arrematar de palavras bonitas e até simplórias mais uma de minhas(de nossas) criações.Falecido.O que se esforçou desaparece,e o dito,torna-se não dito.A falta de palavras me faz estreante de um mundo novo como se o meu conhecimento se estendesse a uma caixa de sapatos.Insuficientemente não conseguia escrever sobre algo genuinamente feliz.A alegria era loucura.Loucura da qual eu gostava muito, mais que inescrupulosamente insistia em fugir de mim naquele instante.Alegria é vergonha assim como um alface em meios aos dentes.Não quero falar sobre política, faculdade ou a próxima nudez da novela das oito.Defina sentimento.Felicidade.Crianças correndo no pátio.O corpo na cadeira e a sensação de estar obedecendo a algum senso comum.Falamos sobre o que conhemos, ou em outros casos derramamos fel.Não que eu faça isso, mas explicar seria retornar ao último gole da contemplação humana.Se não digo , não conheço,logo não sou feliz.Certo?

Errado! Choro ao olhar mais uma morte ao jornal.O choro é comum,mais o riso nunca é o mesmo. Me permiti silenciosamente a consistência da amizade.

A vida é maravilhosa,mesmo quando dolorida.E a alegria é o nosso vitral.

quarta-feira, maio 14

Ligação Covalente

Não Ame. Não Ame
Não ame. Nem hoje.
Nem amanhã. Nem depois.
Tenha medo do sexo, corra das paixões, evite o amor.
Pois amar é trágico, amar é dor e sofrimento.
Se quiser se apaixonar ame a si mesmo, abrace-se, beije-se, devore-se e morra nesta amável solidão. Pois viver, viver neste mundo é impossível sem o Amor.
Venho sendo planejado a meses. Fui pensado em cada detalhe, nas cores, no nome, no que me tornaria depois de "vivo". Hoje após organogêneses, fecundação e nossa querida gonadotrofina coriônica pude nascer.
Fui parido dia 13 de maio de 2008, às 16 e 30 da tarde. Agora vejo o mundo, sinceramente ainda não o entendo, meus criadores pouco colocaram em mim até agora, apenas algumas belas palavras e cores, uma paixão incabível de minhas mães que agora também se torna minha.
Minha placenta, produzida por um córion atrofiado, não foi nada mais do que a vontade de jovens de se expressar e ter a oportunidade de reviver e enteder o vivido através da escrita. E assim como a gonadotrofina coriônica estimula o corpo lúteo na produção de progesterona e estrógeno para que o bebê permaneça no útero, sem hemorragias, essa vontade de meus pais me manteve vivo em suas mentes criativas, que agora me transferem para um mundo que posso chamar de meu.
Meu mundo é este mundo, o mundo virtual, para mim, real. E lhes convido a entrar neste, e me conhecer melhor.

terça-feira, maio 13

Poesia Pagã

Vivia em função do relógio. Contava os segundos, minutos e as horas que ficava sem vê-lo. Nada além disso. Mais de um dia sem sua droga seria demais para ela. Seu vício era forte, sua necessidade vital.

Precisava dele para tudo. Amava-o incondicionalmente, acima de tudo que já sentira. Seu amor era sim a maior beleza do mundo. Era a perfeição, a pureza. Toda o amor do mundo dentro de uma única pessoa. Toda a beleza da vida adormecia em seu corpo. Ela o amava.

Seu olhar... um único olhar a fazia feliz; seu beijo a enchia de desejo e esperança. Seu toque, seu toque a lapidava, tornando mulher.

Amor. Compulsão. Desejo. Paixão.

Ele jurava ama-la e deseja-la e ela tentava acreditar nele. Mas apesar de tudo ela tinha ciúmes. Ciúmes de não ter sido tocada, beijada ou mesmo vista ou amada por ele. Afinal eles não se conheciam de verdade e, provavelmente, não iriam se conhecer.

Era um amor impossível. Platonismo recíproco. Mas ela o amava e sabia que nunca seria capaz de sentir tamanha paixão por qualquer outra pessoa, mesmo sabendo que nas noites enquanto ela, solitária, era devorada por seu amor, ele despejava todo seu amor em outras. Ela tentava fazer o mesmo mas não conseguia, trair o seu amor seria trair a sua própria existência.

Ela seguia sonhando, amando e desejando um dia, apenas por um dia, poder tocá-lo e finalmente se completar. E por toda sua trilha de amor e solidão, uma música guiava os seus sentimentos sempre lhe dizendo: " She loves him, she loves him, she loves him, she loves him...

Me perdoem pela falta de introdução, mas não pude esperar mais para postar esse texto. Amanhã a Elisa deve introduzi-los ao nosso blog.

Anyways, sejam bem vindos.

Enjoy it.